Newsletter    

 

Nº 84
Julho
2013

 
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Editorial
 
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Lituânia na presidência da UE a partir de 1 de Julho
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Novos tectos tarifários, mais baixos, para o roaming a partir de 1 de Julho
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Nova Campanha de informação sobre o direito dos passageiros
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PressEurop - Especial Adesão da Croácia
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EUTube - Adesão da Croácia à UE
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Oportunidades de Financiamento e Parcerias
   
 
 

 


Editorial

 

 
Dezoito anos após o final da guerra na ex-Jugoslávia, a Croácia irá aderir à União Europeia no dia 1 de Julho. Uma concretização simbólica para a região e uma boa notícia para uma Europa que precisa constantemente de demonstrar a sua atractividade. Numa altura em que a UE não é necessariamente o mais sedutor dos vizinhos – a Islândia acaba de anunciar o seu pedido de adesão. Isto é suficientemente importante para ser realçado. É verdade! Ainda existem países para os quais pertencer à União Europeia é um objetivo, mesmo estando muito longe do encantamento que marcou o “big bang” de 2004 – a entrada simultânea de dez novos países e o “mini bang” de 2007 – com a entrada de mais dois.
As negociações com a Croácia foram longas, tendo em conta a crise que atinge a UE e o processo de transição que o Estado croata ainda atravessa. Para os croatas e o resto dos europeus, o período que se inicia gera esperanças, mas não deixa de ser delicado. Como estão os croatas a viver esta adesão à União? Quais são os seus desejos e quem são os nossos novos camaradas? Nesta edição da Newsletter, acompanhamos o dossier especial alargamento no Presseurop, resultante de uma parceria com o Diário de Rijeka, Novi List.
Outro acontecimento deste mês é a Preidência da Lituânia do Conselho da União Europeia. Deixamos nota, nesta edição, das prioridades desta presidência.
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Lituânia

Lituânia na presidencia da UE, a partir de 1 de Julho

Ao mesmo tempo que a UE tenta recuperar da crise, uma cooperação próxima entre Estados-membros é cada vez mais necessária para assegurar o crescimento, a criação de emprego e a competitividade. A UE deve demonstrar aos cidadãos e ao mundo que prossegue políticas financeiras e económicas credíveis.
Sendo um dos países que com maior sucesso tem ultrapassado a crise económica e financeira através de um crescimento sustentável, a Lituânia procurará organizar a sua presidência da UE em torno de três grandes objectivos, que garantem uma europa aberta e em crescimento:
Uma Europa Credível - a Lituânia irá procurar garantir progressos nas finanças públicas europeias de forma a garantir a sustentabilidade financeira necessária a restaurar a credibilidade económica da UE. Os esforços da Presidência dirigir-se-ão para o aprofundamento do quadro da União Bancária e em novas propostas legislativas na área das reformas nos mercados financeiros. A sua tarefa-chave será a implementação de reformas na governação económica e no aprofundamento da União Económica e Monetária.
Uma Europa em Crescimento - a Presidência lituana assentará na Estratégia Europa 2020 e no Semestre Europeu, reforçando as políticas do mercado único. O principal enfoque estará no aprofundamento e integração do Mercado único, como a principal ferramenta para o crescimento económico e melhores oportunidades de emprego. A Presidência trabalhará no sentido de completar as iniciativas do Acto para o Mercado Único I, avançar com novas iniciativas para o Acto para o Mercado Único II e facilitar a Governação do Mercado Único. Será dada prioridade as iniciativas que fortaleçam a confiança na economia europeia e que resultem na dinamização do Mercado Único Digital. A Presidência prestará particular atenção às matérias de investigação e inovação. Procurará completar os objectivos da UE para o mercado interno da energia até 2014 e assegurar que nenhum Estado-membro ficará isolado das redes europeias de energia após 2015.
Uma Europa Aberta - a Presidência Lituâna dará passos no sentido de fortalecer a UE enquanto modelo global de abertura e segurança. Estará atenta à integração da UE e dos países parceiros do Leste, acolhendo a organização da Cimeira para a parceria de Leste, em Novembro de 2013. Procurará assegurar a continuidade do processo de alargamento, de um controlo eficiente das fronteiras externas da UE e uma melhor coordenação da dimensão externa da política energética. A Presidência promoverá iniciativas de comércio livre com parceiros estratégicos, tais como os EUA, o Japão, o Canadá e outros. Procurará ainda impulsionar a Política Comum de Segurança e Defesa através de uma cooperação mais forte com os seus parceiros, tal como providenciando novas respostas aos desafios que se colocam à segurança.
Acompanhe a Presidência da Lituânia em:
http://www.eu2013.lt/en/presidency-and-eu/programme-and-priorities
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Roaming

Novos tectos tarifários, mais baixos, para o roaming a partir de 1 de Julho

 
A partir de 1 de julho de 2013, o regulamento da União Europeia relativo ao roaming baixará as tarifas máximas do descarregamento de dados em 36 %, passando a ser muito mais barato utilizar mapas, ver vídeos, verificar mensagens e actualizar as redes sociais enquanto se viaja pela UE. O roaming de dados passará a ser até 91 % mais barato em 2013, em comparação com 2007. Durante este período, o volume do mercado do roaming de dados cresceu 630 %. Estas duas tendências significam que tanto os consumidores como os operadores de comunicações móveis dispõem de novas e importantes oportunidades graças aos esforços da UE.

Desde 2007, a UE conseguiu reduzir em mais de 80 % os preços de retalho das chamadas, dos SMS e dos dados. Todos os anos, vários milhões de europeus visitam a Croácia, que aderirá à União Europeia em 1 de Julho. Este ano, quem para lá viaje fará poupanças substanciais, porque o custo dos dados diminui cerca de 15 vezes e as chamadas e SMS para qualquer outro país da UE custarão 10 vezes menos. Os novos tetos tarifários, que entram em vigor em 1 de Julho de 2013, são os seguintes:
- Descarregamento de dados ou navegação na Internet — 45 cêntimos por megabyte (MB) (faturados por kilobyte utilizado) + IVA. (redução de 36 % em comparação com 2012)
- Efetuar chamadas — 24 cêntimos por minuto + IVA (redução de 17 % em comparação com 2012)
- Receber chamadas — 7 cêntimos por minuto + IVA (redução de 12,5 % em comparação com 2012)
- Envio de uma mensagem de texto — 8 cêntimos + IVA (redução de 11 % em comparação com 2012)
Os operadores podem oferecer tarifas mais baratas, e alguns já começaram a eliminar os prémios de roaming, tanto para a voz como para os SMS, ou oferecer zonas sem tarifas de roaming numa ou outra secção da Europa.
Para mais informações:
Sítio Web da Comissão Europeia dedicado ao roaming
Agenda Digital
 
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Direitos

Nova Campanha de informação sobre o direito dos passageiros

 
Pela primeira vez, os milhões de turistas que, este Verão, irão viajar na UE beneficiarão de proteção ao abrigo dos direitos abrangentes concedidos aos passageiros – quer se trate de uma viagem de avião ou de comboio quer, a partir de agora, também de barco ou de autocarro. No entanto, as sondagens mostram que dois terços dos passageiros não têm consciência dos seus direitos. Por esta razão, a Comissão lança uma nova campanha de informação ao grande número de pessoas que se preparam para viajar este Verão sobre os seus direitos enquanto passageiros e sobre o modo de fazer valer esses mesmos direitos, se necessário. Porquê esta nova campanha?
- 59 % dos passageiros que viajam de avião na UE não têm consciência dos direitos que lhes assistem, 34 % conhecem os seus direitos e 7% não sabem que têm direitos
- 66 % dos cidadãos da UE não têm consciência dos seus direitos contractuais quando compram um bilhete de transporte; apenas 34% conhecem os seus direitos.
- Um em cada seis europeus sofre de deficiência. Além disso, com o envelhecimento da população europeia, há um número cada vez maior de passageiros que necessitam de assistência especial devido a deficiência ou mobilidade reduzida. Um objectivo da legislação em matéria de direitos dos passageiros é permitir que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida possam ter as mesmas possibilidades de viajar que os outros cidadãos.
- A UE é a primeira região do mundo a dispor de um conjunto abrangente de direitos para os passageiros de todos os modos de transporte (aéreo, ferroviário, fluvial/marítimo, rodoviário). As pessoas precisam de conhecer melhor os direitos que atualmente lhes assistem ao abrigo da legislação da UE.

Para mais informações
http://ec.europa.eu/transport/passengers/index_en.htm
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Especial Adesão da Croácia

In Novi List

 

 
Ir em frente, mesmo se…
In Novi List, Rijeka, por Denis Romac
A tão esperada adesão à União Europeia ainda é mais preocupante, agora que a crise ataca. As políticas de austeridade impostas por Bruxelas arrefecem o entusiasmo do povo croata. No entanto, voltar atrás é impensável. Porque não ficaram os croatas contentes com a sua entrada na UE? De que serviu terem sonhado com isso durante mais de 20 anos, numa altura em que o velho mundo dá lugar ao novo, e se constacta que esta adesão foi construída à custa do povo?

Apenas 7% dos croatas questionados querem assistir ao fogo-de-artifício no próximo dia 1 de Julho – data da entrada do país na UE. Sinal da indiferença com que aguardam o momento. É evidente que um assunto tão complexo merece uma resposta complexa, mas esta reação pode ser explicada pelo facto de a Europa estar a viver uma crise sem precedentes.
Para todos os países como a Croácia, durante muitos anos governados por elites irresponsáveis, a Europa representa um quadro institucional e político que, a mais ou menos longo prazo, assegurará o bem-estar e garantirá o Estado de Direito.
Uma questão de humanidade
No entanto, esta crise mostrou que tudo não passava de uma grande ilusão. A União Europeia já não assegura o bem-estar de um país. A Europa de hoje é governada pela política de austeridade, ainda que os maiores economistas expliquem que as dívidas não são a causa da crise mas a sua consequência. Deixemos isso de lado, por um momento, e analisemos os resultados desta política. A austeridade atirou vários países mais pequenos para uma catástrofe económica e social – o que há uns anos seria impensável. Não só a política europeia anti-crise não funcionou, coisa já admitida pelo FMI, como para cúmulo, esta política de recessão só é aplicada ao povo, para satisfazer as oligarquias financeiras e a banca.
Resultado: A Geração Perdida. Em Espanha quase 55% dos jovens estão desempregados. Na Grécia são 85%! No resto da Europa as coisas não estão melhores: um em cada quatro jovens não tem emprego. Já não se trata apenas de política, mas de humanidade. A Comissão Europeia insiste em medidas que afectam todas as camadas da população. Como pode Angela Merkel opôr-se a qualquer redução da dívida grega quando em 1953 a Europa perdoou 60% da dívida alemã? Mesmo na Eslovénia ouvimos repetidamente declarações chocantes, anunciando a saída da zona euro e da UE como única alternativa a esta desastrosa situação. Quem diria que tais ideias cheguem da Eslovénia, um país pró-europeu por excelência?
O medo substituiu a solidariedade
A crise deixou a UE completamente a nu. Há dez anos sonhávamos com uma união dos povos e não com a união dos mercados financeiros. Hoje, os mercados destroem a vida de milhões de europeus. Com a crise diminuiu a solidariedade.
Os europeus de hoje têm medo do amanhã e a Croácia não é excepção. Sentem-se traídos, enganados. Os croatas já não vêem a UE como um porto seguro, e ainda menos como uma tábua de salvação. As pessoas percebem muito bem o que se passa à sua volta.
Dito isto, não temos escolha. A única alternativa à Europa seria fazer marcha atrás e voltar ao ponto de partida. Significaria voltar ao que tínhamos ontem, logo agora que nos virámos para a Europa. E isso, pelo menos, nós sabemos que não queremos.
Adesão da Croácia: O Síndrome da Invasão
In Novi List Rijeka, por Elio Velan
A adesão da Croácia à União Europeia relança o receio de uma invasão de trabalhadores croatas, especialmente para a Alemanha e a Áustria. As frases feitas sobre os europeus do Leste que vêm tomar os lugares dos ocidentais têm campo aberto à sua frente.
Na vila de Hohenthurn, na Caríntia (Áustria), não longe da fronteira com a Itália, vai nascer em breve um bordel gigante. Os investidores anunciaram que vão lá trabalhar 140 prostitutas. Na pequena vila de menos de 800 habitantes, o bordel vai desencadear uma explosão demográfica. Não são apenas as prostitutas, mas também os trabalhadores (imigrantes, na sua maioria) que irão preencher os 40 postos de trabalho administrativo e organizativo, para ajudarem as prostitutas nas suas tarefas diurnas e noturnas com os clientes.
Os investidores em questão, empresários anónimos da Suíça e da Alemanha, já investiram mais de sete milhões de euros no projecto, com o objectivo de aproveitar a proximidade da fronteira com a Itália, onde a prostituição é ilegal, ao contrário da Áustria, que legalizou os bordéis e onde as prostitutas pagam impostos e têm direito a protecção policial e da segurança social. Como se percebe, todos os meios são bons para a criação de novos postos de trabalho na UE – estas profissões, legais, vão entrar nas estatísticas do mercado de trabalho. Sem ironia, pode-se dizer que este novo bordel vai reduzir significativamente a taxa de desemprego entre os jovens europeus de menos de 24 anos.
Europa do Sul atingida pelo desemprego
Como se sabe, os dirigentes europeus debatem seriamente a questão do desemprego dos jovens: “Se não trabalharem, os jovens perdem a fé na possibilidade que a Europa comunitária representa, bem como na importância da unidade europeia. Sem uma juventude feliz, não há futuro europeu”, consideram.
O desemprego entre os jovens europeus atingiu níveis sem precedentes: na Grécia, 60% dos jovens entre os 14 e os 24 anos estão desempregados, enquanto a Espanha já vai em 56% e a Itália está perto dos 38%. Parece incrível, mas é uma realidade. Os grandes defensores da União Europeia alegam que a mobilidade é a chave para um ressurgimento do mercado de trabalho. Segundo eles, temos de melhorar essa mobilidade, pôr fim a preconceitos e medos: a Europa é um grande mercado de onde devem ser removidos os obstáculos legais e mentais.

Toda a gente concorda que a abertura do bordel vai trazer principalmente prostitutas do Leste – essa famosa Europa que viveu no obscurantismo comunista até 1989, antes de entrar para a União Europeia. Quando uma jovem de 24 anos migra, isso não significa que vá para a prostituição; mas os estereótipos do pós-Muro subsistem e tornam as raparigas da Europa de Leste as prostitutas mais procuradas.

Por trás deste estereótipo (ninguém se questiona sobre as jovens gregas, espanholas ou italianas), esconde-se outro: quando uma pessoa do Leste emigra, vai roubar o emprego a um ocidental. No entanto, as estatísticas contam outra história: um estudo recente, publicado em Itália, mostra que os italianos emigraram para a Alemanha nos últimos anos. Entre 2011 e 2012, o número de italianos na Alemanha aumentou 40%; no ano passado, foram aproximadamente 12 mil trabalhadores italianos para a Alemanha.
Ajudas sociais atrativas
Um semanário romano publica a história de um jovem casal que investiu as suas economias num pequeno apartamento em Munique, para que a mulher aí dê à luz o seu primeiro filho. Fizeram-no por uma razão simples: a Alemanha presta assistência às famílias com recém-nascidos, enquanto em Itália os apoios sociais são inexistentes.

A Europa não tem uma política social única e não tem as mesmas regras no que diz respeito ao mercado de trabalho. Cada país faz à sua maneira, pelo que qualquer fenómeno migratório é imediatamente visto como um ataque contra um país que está melhor do que os outros. A mobilidade das prostitutas está garantida, mas não foi um problema criado pela União Europeia; dura desde o início dos tempos, numa consequência da nossa civilização instável e hipócrita.
Um controlo reforçado
Os trabalhadores croatas podem causar problemas, razão pela qual a Áustria e a Alemanha vão acompanhar de perto e limitar as suas entradas. Como é sabido, a Áustria e a Alemanha declararam que iriam utilizar o seu direito de “moratória” para restringir a entrada de trabalhadores croatas nos seus mercados de trabalho – uma forma de impedir que eles vão perturbar a situação nesses países. No ano passado, a Alemanha –única locomotiva Europeia– recebeu mais de um milhão de operários, vindos principalmente de outros países da UE, como a Grécia e a Polónia.
Na mesma linha, o presidente da região de Veneto – Luca Zaia – escreveu uma carta ao primeiro-ministro croata- Zoran Milanović, exigindo que a Itália, em sintonia com Bruxelas, tomasse medidas para controlar o fluxo de migração proveniente do novo Estado-membro – a Croácia. Zaia declarava que a taxa de desemprego na Croácia é de 25% e o salário médio dos trabalhadores é 30% menor do que em Itália. A região teme uma invasão croata e exige que os seus trabalhadores sejam protegidos.
A mesma região e as vizinhas Friuli Venezia Giulia e Caríntia austríaca alimentam o projeto de criação de uma “euro-região” com os seus homólogos croatas da Ístria e Primorje-Gorski Kotar. Sinceramente, a política é uma prostituta. Os nossos políticos têm agora de nos explicar o significado e o propósito de uma “euro-região”!
Seremos uma pequena China Europeia
In Novi List Rijeka, Alenka Juričić

Na opinião dos croatas, o que é que a adesão à UE lhes vai trazer? Para tentar saber como vêem a entrada do seu país na União, o Novi List fez a pergunta aos habitantes de Rijeka. Testemunhos.

O que é que a entrada na União vai realmente trazer às pessoas comuns? Ninguém sabe verdadeiramente. E apesar de estarmos apenas a alguns dias da adesão, o que é que vai mudar, de facto, quais são as consequências dessa integração na vida quotidiana, nos salários, nos preços, na procura de um emprego, nas viagens…? Nada disto é claro para ninguém. Considerando as experiências de outros países, podemos dizer que cada um tem uma história diferente, por isso, não podemos senão supor aquilo que a Europa vai trazer aos cidadãos croatas. Nem tudo é preto, nem tudo é branco. Uma coisa é certa, não vai ser fácil.
E apesar dos políticos dizerem que, a partir de 1 de julho, o ouro correrá como um rio, fomos ao encontro dos habitantes de Rijeka para saber o que pensam da adesão da Croácia à UE – como é que essa adesão vai influenciar as suas vidas.
Adesão aguardada com prudência
Segundo Zdravko-Ćiro Kovačić, reformado e lenda do polo aquático croata, “os dois primeiros anos vão ser piores do que agora. Mas a adesão era inevitável; seria absurdo um pequeno país como a Croácia não ser membro da UE. Por outras palavras, a tarefa que nos espera será árdua; estamos longe do modelo típico do cidadão europeu, sobretudo no que diz respeito ao trabalho”, declara. “Os croatas vão ter de se adaptar aos hábitos do mercado europeu, que se desmorona sob a pressão de um desemprego recorde, sobretudo no que diz respeito aos jovens.”
Não serve de nada lamentarmo-nos, é a opinião de Mirjana Šafar, vendedora: “Pessoalmente, espero que isto melhore. Sou otimista por natureza e é por isso que encaro esta mudança com optimismo. Espero que seja melhor para os jovens, que tenham mais possibilidades de estudar, de viajar, etc... E evidentemente, passar a fronteira vai ser mais fácil – deixará de haver alfândega para ir a Trieste. Quanto aos produtos regionais, sei que as pessoas têm medo de terem de deixar de os vender, mas acho que não vai ser assim. Os outros países também vendem os seus queijos e as suas natas.”
No entanto, é com prudência que Hasna Jukić, dono de uma loja na praça principal de Rijeka, aguarda esta adesão. Na sua opinião, a subida dos preços já é perceptível mesmo antes da Croácia entrar na UE: “Sinceramente, acho que vai ser pior. Quem diz o contrário está a contar-nos histórias da Carochinha. Tenho dois filhos em casa que, em breve, acabarão a universidade e irão procurar emprego e tenho medo que não encontrem. Hoje, é muito difícil arranjar trabalho”, diz ela. Comenta o desaparecimento de fronteiras de maneira muito franca: “se eu tivesse dinheiro já tinha ido a Trieste fazer compras. Mas como não tenho dinheiro, haver ou não haver fronteira tanto me faz”.
Uma China europeia
Os profissionais do sector de turismo esperam que o desaparecimento das fronteiras e o simples facto de a Croácia fazer parte da UE atraia mais turistas. É o que nos diz Nenad Kukurin, industrial hoteleiro: “Para começar, deixará de haver fronteiras e, depois, vai ser mais fácil comprar produtos que, até agora, não encontrávamos aqui. Por isso, para a hotelaria é uma mudança positiva. Do mesmo modo, o preço de alguns produtos vai baixar, como o do champanhe, por exemplo, ou o dos vinhos, do parmesão, do azeite – ou seja, produtos que usamos muito neste negócio. Quanto ao resto, não estou muito optimista, mas no que diz respeito ao meu trabalho, é uma mudança positiva”.
Na sua área profissional, Ante Bočina, pescador, também vê a União como uma mudança positiva: “Na minha opinião, a situação, para quem trabalha, vai melhorar. Pelo contrário, quem não trabalha deve estar preocupado. Quem tem trabalho não precisa de ter medo, a concorrência é sempre bem-vinda”. Para ele, a abertura das fronteiras equivale a um comércio mais aberto para os pescadores porque poderão vender mais facilmente o peixe, em Itália, por exemplo.
Os pequenos artesãos, por seu lado, estão muito cépticos. Segundo Dinče Jovanovski, sapateiro, o pânico já é evidente. Toda a gente tem medo e ninguém vê nada de positivo. “A chegada da UE é igual à chegada de um tsunami. Infelizmente, ninguém vê nada de positivo nisso, toda a gente está preocupada, o poder de compra caiu de forma dramática e não vemos o que é que a Europa nos pode trazer de bom. Pessoalmente, não espero nada de bom. A União Europeia tem mais a ganhar do que nós. Há muito que consideram que a nossa mão-de-obra é cara; a Europa não nos recebe para melhorar o nosso nível de vida, mas sim para fazer de nós a China europeia. Uma pequena China onde não faremos mais nada senão trabalhar. Arranjar um estágio ou ter um salário, de qualquer maneira, já é pedir de mais.”

As opiniões parecem bastante divididas. Quem está enganado, quem tem razão, dentro de muito pouco tempo saberemos.
Um choque económico
In Novi List Rijeka, por Branko Podgornik
Ao entrar no mercado único, as empresas croatas vão beneficiar de novas oportunidades mas deverão também fazer frente a uma maior concorrência. A transição será mais fácil para os grandes grupos do que para as pequenas empresas, e todos esperam anos difíceis.

Depois de 1 de julho as empresas croatas irão sofrer um verdadeiro choque. Ao juntar-se ao mercado único europeu e aos seus 500 milhões de pessoas, a economia croata vai enfrentar uma concorrência mais cerrada. Economistas e dirigentes políticos não escondem que isso será um dos principais desafios para a economia nacional – um desafio para o qual alguns estão mais bem preparados do que outros. Uma grande maioria dos croatas acredita que as vantagens económicas que a Europa pode trazer não se farão sentir logo de início, porque a Europa, tal como a Croácia está em recessão. Nos dois primeiros anos as exportações croatas baixarão, bem como o PIB. Passado esse tempo, a economia deverá começar a adaptar-se, e só ao fim de cinco anos é que os efeitos positivos da UE superarão os negativos, prevê Boris Cota, conselheiro financeiro do Presidente Ivo Josipović.
Empresas vão enfrentar mais concorrência
O fim dos auxílios estatais a sectores como a construção naval e a agricultura vai tornar a situação ainda mais complicada. As empresas vão, também, perder privilégios aduaneiros -acordo de livre circulação do Centro Europeu- com os países da ex-Jugoslávia, que hoje absorvem 40% das exportações croatas. O preço das exportações para a Sérvia, a Bósnia-Herzegovina e a Macedónia vai aumentar 10%. As empresas croatas vão enfrentar mais concorrência. As taxas aduaneiras sobre as importações vão ser abolidas, o que quer dizer que o preço dos produtos importados diminuirá cerca de 10%.
As telecomunicações, a indústria farmacêutica e as actividades financeiras não enfrentarão grandes desafios porque são rentáveis. A maior parte das empresas destes sectores, como a Hrvatski Telecom e a Pliva (principal empresa farmacêutica do país) foram, há muito, adquiridas por estrangeiros -respetivamente a Deutsche Telekom e a Teva Pharmaceutical Industries -Israel. As empresas menos rentáveis, ou seja a maioria, vão ter problemas de adaptação. Esta vai ser mais fácil para os grandes do que para os pequenos.
“A adaptação vai ser mais fácil para as grandes empresas”, reconhece Ljerka Puljic, vice-presidente da empresa Agrokor (agroalimentar e distribuição, o maior grupo privado croata). “Mas mesmo as nossas ‘grandes empresas’ são pequenas à escala europeia. A necessidade económica obriga-nos a crescer.” “O capital não escolhe bandeiras, mas oportunidades”, afirma por sua vez Emil Tedeschi, presidente do Atlantic Group (outro gigante croata da área agroalimentar), que acrescenta que “brevemente vamos ser testemunhas da fusão de empresas e indústrias ao nível nacional”.
"ntrada na UE é um momento crucial
Para enfrentar as dificuldades que podem surgir depois de 1 de Julho para uma grande parte da economia croata, o presidente da Končar (electrónica e informática), Darinko Bago, apela ao Governo que encoraje os exportadores. Para Ivica Mudrinić, o patrão da Hravski Telekom, a entrada na UE é um momento crucial e o Governo deve encontrar uma estratégia económica consensual, algo que quase não houve na Croácia nos últimos 20 anos.
Raras são as pequenas empresas que não sentirão os efeitos da adesão à UE, excepto se possuírem produtos inovadores com grande procura em todos os mercados. Uma destas pequenas empresas, que se desenvolveu muito rapidamente nos últimos anos e vende os seus produtos em toda a Europa está em Rijeka – é o Laboratório Jadran Galenski, que apresentou este ano a maior taxa de investimento na "PharmaValley" de Rijeka – o que prova o seu sucesso. Para o seu presidente Ivo Usmiani, nada vai mudar depois de 1 de Julho: “a JGL já produz para muitas empresas farmacêuticas mundiais e europeias de renome, daí a sua vantagem sobre as outras”.
 
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Entrada da Croácia na UE

 

 



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